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Aspirando a uma carreira em petróleo e gás

Xiluva Mondlane

 

É moçambicana de 25 Anos de Idade e é uma estudante bolseira estudante-bolseira da Total no IFP School, uma instituição francesa de ensino superior que se define como escola de inovação energética e mobilidade sustentável, Chama-se de Xiluva Mondlane, uma jovem aberta ao mundo e as culturas, apaixonada pela transição energética, e que ambiciona seguir uma carreira internacional na área de petróleo e gás e contribuir para o desenvolvimento do seu país.

 

De Moçambique à França, passando pela Malásia, descubra o percurso desta Jovem.

Onde nasceu e como foi o início académico?

Nasci e cresci em Maputo, onde  fiz o ensino primário e secundário.  Em 2013, concorri para uma bolsa de estudos na Malásia oferecida pela Petronas, tendo sido seleccionada para fazer a licenciatura em engenharia de petróleos. Portanto, a minha formação é em engenharia de petróleos e o   meu maior interesse é a transição energética.

O que a motivou a escolher a sua área de estudo?

Durante o meu último ano do ensino médio, os meus pais e eu começámos a pesquisar sobre potenciais cursos que poderia fazer, com base nos meus pontos fortes e  futuras oportunidades de carreira em Moçambique. Ao mesmo tempo, novas descobertas de gás tinham sido feitas em Moçambique e prevíamos a necessidade de mais profissionais nesta área. Então, decidimos que eu estudaria engenharia de petróleos.

Porque decidiu especializar-se em Engenharia de Reservatórios?

Entre o 3º  e o último ano de licenciatura era necessário fazer um estagio para a conclusão bem-sucedida do meu curso. E tinha interesse em experimentar 2 sectores da indústria de petróleo e gás:  upstream e  downstream. Queria saber um pouco sobre ambos para ter uma visão maior do mundo do petróleo e gás, antes de selecionar um campo específico. Em outras palavras, queria ter a imagem macro antes de ir para a micro. Então comecei pelo sector de downstream, na PETROMOC e Puma Energy e mais tarde no sector de upstream na Anadarko Mozambique Area 1.  Neste último estágio,  inspirei-me muito no trabalho em equipa dos geólogos e engenheiros de reservatórios. Eles fizeram-me perceber que este era o campo em que eu queria trabalhar.

Fale-nos da sua experiência na Malásia?

Foi óptima. A Malásia é uma terra de culturas diferentes. Existe a cultura malaia,  indiana e chinesa. Além disso, o país acolhe vários estudantes estrangeiros,  incluindo moçambicanos, por isso  foi menos difícil adaptar-me. Tive a sorte de conhecer pessoas que me apresentaram um novo estilo de vida. A Malásia deu-me também a oportunidade de aprender inglês. Não tinha domínio da língua inglesa quando cheguei, mas fiz os esforços necessários para aprender graças ao curso intensivo de inglês e, também, aos filmes e às redes sociais.

Por ser amante do desporto e porque o desporto é uma excelente maneira para a integração num novo ambiente, decidi também integrar-me em actividades desportivas.   No meu último ano de estudos, fui premiada como a melhor jogadora de Futsal daquele ano, e a minha equipa foi a 2ª classificada na competição. Foi uma óptima forma de encerrar a minha participação extracurricular na Universiti Teknologi PETRONAS

Xiluva Mondlane

O conselho que eu daria a outras mulheres moçambicanas é terem coragem e confiança para aprender coisas novas, adquirir e aprimorar novas competências.

Xiluva Mondlane Estudante-bolseira da Total no IFP School

Actualmente está a estudar na França, por que escolheu  o IFP School?

Procurar um curso de engenharia de reservatórios não foi uma tarefa fácil, especialmente durante a pandemia. Candidatei-me a várias universidades americanas, mas elas não ofereciam bolsas e eu procurava apoio financeiro. Como a Total está a operar em Moçambique e o IFP, pelo qual tinha e tenho muito interesse, é uma instituição de ensino francesa, decidi contactar a empresa. Depois,  passei por um  processo selectivo e aqui estou.

Como tem sido a experiência no IFP School?

Tem sido incrível. O IFP School superou as minhas expectativas em termos de pedagogia, que inclui viagens de campo, estágios e possibilidades de networking. Estamos em contacto com profissionais do sector energético e temos igualmente a oportunidade de nos tornarmos membros de associações profissionais.O IFP oferece aos seus estudantes exposição ao ambiente profissional e a oportunidade de participar do processo de transição energética. Acredito que nós, jovens, temos um papel importante na busca de soluções alternativas e sustentáveis para desenvolver os campos de petróleo e gás com baixas emissões de carbono. Para mim, a transição energética não significa apenas mudar para fontes de energia renováveis, mas encontrar outras formas possíveis e sustentáveis de explorar os campos de hidrocarbonetos existentes.

Depois de terminar a sua formação no IFP School, quais os seus objectivos/sonhos?

Eu quero seguir uma carreira internacional na área de petróleo e gás. Igualmente, adoraria ajudar os jovens, especialmente as mulheres, a desempenharem um papel nesta área. Depois, com toda a experiência ganha internacionalmente, voltaria ao meu país para contribuir no seu desenvolvimento, em particular nesta área do petróleo e gás.

Alguma empresa especial na qual gostaria de trabalhar?

Não tenho nenhum vínculo com a Total, que me ofereceu esta bolsa, mas  reconheço-me nela. Estou muito interessada na transição energética e na integração da consciência climática na nossa vida quotidiana e isso está alinhado com a estratégia da Total. Igualmente, descobri que os valores da Total são semelhantes aos meus valores pessoais. Por exemplo,  a segurança. A empresa promove a segurança dentro e fora das operações, em qualquer lugar e a qualquer hora. À medida que aprendo mais sobre a empresa, revejo-me  nela e é provavelmente a melhor empresa para mim actualmente.

Xiluva Mondlane and study companions

Xiluva Mondlane companheiros de estudo exploram o interior da França

O que é que  cobre a bolsa que lhe foi atribuida ?

Bem, a bolsa da Total é uma boa forma de apoiar a educação em todo o mundo. É uma bolsa que providencia o essencial para se ter uma vida confortável em França. As propinas e despesas de subsistência são cobertas, bem como o alojamento. A Total também faz  sessões de acompanhamento, onde os bolseiros partilham as suas experiências e eventuais dificuldades que estejam a enfrentar. A empresa proporciona também a cada bolseiro um estágio industrial no final do curso, pois é obrigatório que todos os estudantes realizem um estágio. Significa uma oportunidade de estágio em qualquer local onde a empresa actua, o que representa um espectro de cerca de 130 países no mundo. Para além disso, continuo em contacto com a equipa Subsea  da Total em Moçambique, que tem estado sempre, desde o primeiro momento, disponível para me ajudar e dar o apoio necessário para o meu crescimento académico e profissional. Portanto, esta bolsa é uma iniciativa que demonstra empenho no desenvolvimento dos jovens nos lugares onde a empresa está presente e, neste caso, em Moçambique. Como moçambicana, tenho muito orgulho que a Total, que  está a liderar um megaprojecto no meu país,  esteja a investir na minha formação. Desejo sinceramente que mais moçambicanos tenham a mesma oportunidade nos próximos anos. Fiquei, por isso, muito satisfeita em saber que a Total, em parceria com o Governo Francês, vai oferecer a partir já deste ano 40 bolsas de estudos para moçambicanos frequentarem o ensino superior em França.

Moçambique e França são dois países diferentes com culturas diferentes, terá tido algum choque cultural quando lá chegou? Quais as diferenças que notou?

Quando cheguei à França, não tive nenhum choque cultural. Na verdade, fiquei muito surpresa e maravilhada, quando percebi que aqui as pessoas estão mais conscientes sobre as mudanças climáticas e seus impactos. Eu pude presenciar muitas pequenas acções na vida quotidiana que realmente fazem a diferença como, por exemplo, a gestão de resíduos. Mesmo em espaços públicos, pude presenciar pessoas a fazer a gestão de resíduos. Estas são as pequenas acções sustentáveis que dão um contributo positivo para o ambiente e espero que possamos aumentar a consciência sobre as  mudanças climáticas e a sustentabilidade, bem como integrar mais destas acções em Moçambique.

Xiluva Mondlane and study companions

Xiluva e seus colegas apreciam as oportunidades de viagens de estudo de campo

Aos 25 anos a Xiluva tem já um percurso interessante e que acredito possa ser inspirador para outros. Para si, quais ou quem são as suas fontes de inspiração?

A minha família é a minha fonte de inspiração e o meu porto seguro. O meu pai é sociólogo e a minha mãe é analista de crédito reformada. Embora a minha trajectória profissional não esteja relacionada  com a deles, eles sempre me apoiaram para maximizar o meu potencial e me tornar a melhor versão de mim mesma. Eles ensinaram-se que  só criaria um mundo melhor, se me tornasse numa pessoa melhor.  Admiro também Michelle Obama, ela é uma das minhas modelos femininas a seguir. O seu carácter forte, perseverança e força para lutar por questões sociais são admiráveis. Ela mostrou que, para tornar o que acreditamos em realidade, devemos primeiro acreditar em nós mesmos e nos nossos sonhos.

Sabemos que está também comprometida com causas sociais.

Bem, eu acredito que as causas sociais são a chave para um mundo melhor. Durante um semestre dos meus anos de universidade na Malásia, fui responsável de um programa de caridade. O objectivo desse programa era renovar as casas de famílias desfavorecidas. Também participei de uma campanha de consciencialização sobre o cancro. Participava na disseminação de mensagens de consciencialização  sobre  a doença. Ia aos mercados para falar sobre o cancro de mama para fazer com que as pessoas ficassem mais conscientes da sua existência.

Algumas palavras para concluir?

Para concluir, eu diria que, como estudante na área de energia, é uma responsabilidade inspirar muitas jovens a prosseguir os seus papéis nesta área. O conselho que eu daria a outras mulheres moçambicanas é terem coragem e confiança para aprender coisas novas, adquirir e aprimorar novas competências. Em algum momento, elas estarão onde merecem estar. Tive muita sorte de ser orientada na minha trajectória profissional por mulheres muito corajosas e confiantes. Isto mostra que as mulheres moçambicanas têm cada vez menos medo de aprender coisas novas, de possuir os seus próprios espaços  e de criar outros para outras mulheres.